História

A história do Jockey Club Brasileiro
 

O Jockey Club Brasileiro foi fundado em 1932, com a junção dos dois clubes promotores de corridas de cavalos do Rio de Janeiro, o Derby Club e o Jockey Club. Seu primeiro presidente foi o Dr. Lineu de Paula Machado, grande entusiasta e promotor do turfe no Rio de Janeiro.

A reunião inaugural do JCB foi realizada em 29 de maio do ano de sua fundação, no recém-construído Hipódromo da Gávea. Antigamente chamado de Hipódromo Brasileiro, sua pista e tribunas foram inaugurado seis anos antes da fusão dos dois clubes, em julho de 1926.

Em 1933, no dia 6 de agosto, foi realizado o primeiro Grande Prêmio Brasil. O vencedor do páreo foi o tordilho “Mossoró” que, segundo se conta, quase foi levado no colo pela multidão presente no hipódromo, que vibrava com a vitória do animal. Desde então, o GP Brasil tem sido a mais expressiva prova do turfe nacional, sendo reconhecida mundialmente.

 

 

 

Saiba mais sobre a história do Turfe no Rio de Janeiro

Um manifesto publicado, sem assinaturas, no “Jornal do Commercio” de 6 de março de 1847 foi o início da edificação do turfe no Rio de Janeiro. Dele originou-se a criação do “Club de Corridas” , uma sociedade anônima , com capital de quarenta contos de réis , que adquiriu um terreno alagadiço, entre São Francisco Xavier e Benfica, nas cercanias da cidade . Ali instalou o “Prado Fluminense”, primeiro hipódromo do Rio de Janeiro. A empresa sobreviveu pouco mais de três anos e o Major João Guilherme Suckow, um de seus inspiradores, reembolsou os demais acionistas, tornando-se o possuidor de seu patrimônio imobiliário.

O Club de Corridas patrocinou uma única reunião no Prado Fluminense, no dia 1° de novembro de 1850, cujo programa foi publicado na imprensa na mesma data. Dias antes havia sido divulgado o regulamento que chama a atenção pelas curiosidades, entre as quais o artigo oitavo, que proibia o comparecimento de pessoas descalças e sentenciava à morte qualquer cachorro que aparecesse no hipódromo. O vencedor do primeiro páreo formal no Rio de Janeiro foi o animal “Malacarinha”, pertencente ao Sr.Manoel da Rocha Maia, montado pelo jóquei D.Thomas, que envergava “jaqueta e boné azul escuro”. Em 16 de Maio de 1869, o Jockey Club realizou sua primeira reunião. Estiveram presentes o Imperador D.Pedro II , D. Thereza Christina e cerca de 4.000 pessoas.

O primeiro e o quinto páreos foram ganhos pelo animal “macaco”, de criação e propriedade do Comendador Francisco Pinto da Fonseca Telles, Barão de Taquara. Ele havia sido membro da primeira diretoria do extinto Club de Corridas e seu haras era localizado em Jacarepaguá, nas cercanias do Rio de Janeiro.

Fundadores do Jockey Club:

- Conde de Herzberg
- Felisberto Paes Leme
- Fernando Francisco da Costa Ferraz
- João Guilherme Suckow
- Joaquim José Teixeira
- Henrique Germack Possolo
- Henrique José Teixeira
- Henrique Lambert
- Henrique Moller
- Luiz de Suckow

O segundo Hipódromo da cidade surgiu no bairro de Villa Isabel. Ele foi erguido por um clube de corridas, fundado por moradores do bairro, em terrenos cedidos pela Cia. Architectônica, que pertencia ao Barão de Drummond, presidente do Jockey Club em 1874. Seu regulamento destinava-o a sócios e amadores, e só à falta daqueles poderiam atuar jóqueis profissionais. A corrida inaugural foi anunciada pela imprensa e realizada em 22 de maio de 1884. O nome “Club de Corridas Villa Isabel” sobreviveu, apenas, cerca de seis meses.

O Dery Club fez sua primeira reunião em 2 de agosto de 1885, com 82 animais inscritos em nove páreos, número até então não atingido em toda a América do Sul. Foi o grande acontecimento social do ano e a ele estiveram presentes Suas Majestades Imperiais, D.Pedro II e D. Thereza Christina, e cerca de 10.000 pessoas. O Hipódromo havia sido edificado em terrenos adquiridos à Condessa de Itamaraty, do que resultou o nome do prado. Hoje, ali está construído o Estádio do Maracanã. Inovador, o Derby Club logo nesta primeira corrida fez funcionar um cronógrafo elétrico, destinado a marcar com precisão o tempo de cada páreo.

Em 14 de dezembro de 1884 inaugurava-se o terceiro prado de corridas na cidade do Rio de Janeiro. Denominava-se “Villa Guarany” e teve vida efêmera, apenas cinco anos, mas sempre teve reputação duvidosa. As chicanas e trapaças que criaram a má fama do Prado Villa Guarany foram retratadas por Luiz Edmundo, num episódio narrado em seu livro “O Rio de Janeiro do meu tempo”.

Em 1919 o Jockey Club começou a estudar a hipótese de construir um novo hipódromo que substituísse o Prado Fluminense. A opção examinada era este terreno pantanoso, de propriedade do Município do Rio de Janeiro, em frente ao Jardim Botânico. Ele vinha sendo aterrado com resíduos do desmonte do Morro do Castelo, no centro da cidade. Após longas “démarches”,em 26 de julho de 1922 , foi assinada uma escritura de permuta. Os cerca de 400.000 metros do sítio da Lagoa Rodrigo de Freitas foram recebidos pelo Jockey Club e a maior porção da área do Prado Fluminense transferida para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Assim,ali, onde outrora existira um charco, iria ser erguido o Hipódromo da Gávea, um dos mais belos do mundo.

O arquiteto francês André Raimbert, com escritório na “Rue de Messine n°6”, em Paris, era especializado em construção de hipódromos. Ele havia elaborado , em 1903, os projetos das tribunas e outras construções no prado de “Saint-Ouen” e, em 1904, as arquibancadas do campo de carreiras “Maison-Laffitte”. Em 1920, associado a seu colega Louis Lefranc, e por encomenda do Vice-Presidente, Linneo de Paula Machado, Raimbert traçou reformas para o Prado Fluminense e, tendo em mãos as plantas do terreno da Lagoa Rodrigo de Freitas, o projeto original do Hipódromo da Gávea, depois alterado. O custo de seus serviços foi de quinze mil francos. O detalhe mais original do desenho de Raimbert, a pista em forma de oito, não foi aproveitada na execução final do Hipódromo da Gávea.

A Tribuna dos Profissionais foi a primeira a ser edificada em todo o conjunto do Hipódromo da Gávea. Os andaimes que a circulavam já não tinham caráter de sustentação, mas o de mero apoio para colocação e acabamento dos adereços arquitetônicos. Antes da construção da Tribuna dos Sócios, foi levantado o arco romano de seu pórtico monumental. Em 8 de maio de 1926 o Hipódromo da Gávea recebia os últimos retoques para a inauguração que iria realizar-se daí a dois meses.

O Jockey e o Derby Club mantinham um acordo para efetuar corridas em datas alternadas, de modo que as reuniões de um não prejudicassem as do outro. O sucesso do Hipódromo da Gávea não vinha sendo suficiente para saldar as dívidas contraídas para sua construção. Assim o Jockey Club deliberou passar a realizar carreiras todos os domingos rompendo um acordo com o Derby Club.
Em dezembro de 1930 tal decisão foi comunicada e várias “démarches” encetadas, mas não foi possível um acordo e os dois clubes passaram a competir. A preferência dos turfistas pela Gávea asfixiou o Prado Itamaraty. Após um ano de confabulações, a fusão das duas sociedades foi pactuada em janeiro de 1932. As assembléias que consubstanciaram a união realizaram-se em 23 e 24 de maio do mesmo ano. Estava fundado o Jockey Club Brasileiro.

O ano de 1932 marca o nascimento do Jockey Club Brasileiro, sob a condução de Linneo de Paula Machado, e o início de uma escalada do turfe, no Rio de Janeiro, que perdura por três décadas. A reunião inaugural do novo Jockey Club Brasileiro, nascido da fusão do Derby e do Jockey Club Brasileiro, nascido da fusão do Derby e do Jockey Clubes, foi realizada em 29 de maio de 1932, no Hipódromo da Gávea.

Os anos 1950 representam o apogeu das corridas na cidade, sua fase verdadeiramente apoteótica. A mudança da capital para Brasília e um malfadado decreto do Presidente Jânio Quadros delimitam o início do processo de reversão do prestígio, e da popularidade, do turfe na cidade, e o descenso do Rio de Janeiro no contexto do turfe nacional.

Não obstante, a criação de puro-sangue prospera e se engrandece, nas décadas subseqüentes. A mudança dos principais criadouros para o Rio Grande do Sul propicia uma explosão na qualidade dos produtos e estimula o estabelecimento de padrões, que trazem competitividade internacional ao turfe brasileiro. O Brasil deixa de ser coadjuvante no cenário latino-americano e mundial.

(Texto do livro - Jockey Club Brasileiro 130 anos, de Ney Carvalho)